Sebrae aposta em missão a Florianópolis enquanto estado amapaense salta de 41 para mais de 220 startups ativas desde 2023.
Quem pensa em ecossistema de inovação no Brasil dificilmente lembra do Amapá de primeira, mas o cenário local vem mudando de forma consistente nos últimos anos. Uma dúvida natural surge diante desse movimento: um estado pequeno e distante dos grandes centros econômicos consegue mesmo competir na corrida por startups e investimento em tecnologia? Os números recentes divulgados pelo Sebrae Amapá e pelo governo estadual sugerem que sim, e a mais nova evidência disso é a missão de 13 startups amapaenses ao Startup Summit 2026, um dos maiores eventos de inovação da América Latina.
Por que o Amapá está indo a Florianópolis
O Sebrae Amapá vai levar 13 startups dos segmentos de bioeconomia, tecnologia digital e ecossistema de inovação ao Startup Summit 2026, que acontece no Centro de Convenções de Florianópolis entre os dias 26 e 28 de agosto. O evento é considerado uma referência nacional em conexão entre empreendedores, investidores, grandes empresas e aceleradoras, e reúne especialistas dos ecossistemas de inovação nacional e internacional.
Segundo a gerente da Unidade de Inovação do Sebrae no Amapá, Josseli Pantoja, a missão representa um investimento direto no desenvolvimento do empreendedorismo inovador do estado, que segundo ela já figura entre os quatro estados brasileiros com maior número de startups por porte de mercado. O presidente da Associação Brasileira de Startups, Lindomar Ferreira, reforça que a viagem deve gerar oportunidades concretas de vendas, parcerias e visitas técnicas para as empresas amapaenses, além de servir como fonte de inspiração para quem ainda está validando seu modelo de negócio.
O salto do ecossistema local nos últimos anos
Os números que sustentam esse otimismo vêm da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação do Amapá. Segundo o órgão, o estado passou de 41 startups mapeadas em 2023 para mais de 220 novos empreendimentos ativos atualmente, um crescimento impulsionado principalmente por políticas públicas de fomento ao setor, como editais, programas de capacitação e parcerias com instituições como Sebrae e Senai.
Parte desse avanço tem relação direta com o programa Amapá Startup, que neste mês de julho promoveu oficinas e maratonas de inovação em Oiapoque e em Porto Grande, com foco em jovens a partir de 16 anos. Segundo o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Edivan Andrade, o objetivo principal é capacitar estudantes para que, ao concluir o ensino médio, já tenham repertório suficiente para estruturar seu próprio negócio, unindo educação formal e empreendedorismo desde cedo.
O que essas iniciativas significam para quem vive no Amapá
Para o morador comum, o crescimento do ecossistema de startups pode parecer distante do dia a dia, mas o impacto tende a aparecer de forma indireta em geração de emprego, diversificação econômica e retenção de jovens talentos que, historicamente, migravam para outros estados em busca de oportunidades na área de tecnologia. Programas como as maratonas de inovação, que oferecem premiação de três mil reais por edição, buscam justamente criar um caminho alternativo ao mercado de trabalho tradicional para quem está começando a carreira.
O Amapá também já sediou, em fevereiro, o Startup20, evento internacional ligado ao grupo de engajamento do G20 voltado a startups, que reuniu delegações de cerca de vinte países em Macapá para debater temas como regulamentação de inteligência artificial, governança em startups e o futuro do ESG no setor. A realização desse tipo de evento na capital amapaense é apontada pelo governo estadual como parte de uma estratégia para posicionar o Amapá no mapa nacional de inovação, atraindo atenção de investidores e parceiros que dificilmente olhariam para o estado nesse contexto há poucos anos.
O avanço do ecossistema amapaense de startups ainda é recente e concentrado, mas os indicadores de crescimento e a presença do estado em eventos de peso nacional mostram uma mudança de postura clara por parte do poder público local. Nos próximos meses, o desempenho das 13 startups amapaenses em Florianópolis, somado à continuidade dos programas de capacitação voltados a jovens, deve ajudar a confirmar se esse movimento de crescimento acelerado tem fôlego para se manter nos próximos anos ou se depende, sobretudo, do investimento público que o sustenta hoje.
Fontes:
Agência Sebrae de Notícias – Amapá
Diário do Amapá
Portal Governo do Amapá