Ex-prefeito de Macapá aparece com mais de 60% das intenções de voto contra o governador Clécio Luís, segundo Paraná Pesquisas.
Uma pesquisa divulgada nesta terça-feira pelo instituto Paraná Pesquisas mostra o ex-prefeito de Macapá, Dr. Furlan, com ampla vantagem na disputa pelo governo do Amapá nas eleições deste ano. O levantamento reacende uma dúvida que já vinha se formando desde março, quando Furlan deixou a prefeitura em meio a uma investigação da Polícia Federal: será que o afastamento e a renúncia enfraqueceram sua imagem política, ou o eleitor amapaense manteve a confiança no ex-gestor mesmo diante do processo em curso?
O caminho até a pré-candidatura ao governo estadual
Dr. Furlan foi afastado da prefeitura de Macapá por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, após a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão relacionados a uma investigação sobre possíveis irregularidades em contratos da construção do Hospital Geral Municipal. Dias depois do afastamento, ele formalizou renúncia ao cargo, informando à Câmara Municipal que a decisão atendia também à exigência constitucional de desincompatibilização para concorrer ao governo do estado.
Com a saída de Furlan, o presidente da Câmara Municipal de Macapá, vereador Pedro DaLua, assumiu interinamente a prefeitura, enquanto a vice-presidente da Casa, vereadora Margleide Alfaia, passou a conduzir o Legislativo municipal. Furlan nega qualquer irregularidade e afirma que responderá ao processo em liberdade, reforçando publicamente o compromisso de seguir a candidatura ao governo estadual nas eleições deste ano.
Números da pesquisa e o cenário político em disputa
Segundo o levantamento da Paraná Pesquisas, Furlan aparece à frente em dois cenários testados. No primeiro, que incluiu também o nome do candidato Marcos Reategui, ele obteve 65,5% das intenções de voto. No segundo, em que os entrevistados escolheram apenas entre Furlan e o atual governador Clécio Luís, a vantagem do ex-prefeito de Macapá chegou a 66%. O instituto testou apenas cenários de primeiro turno na atual rodada.
A disputa amapaense ganha contornos adicionais porque Furlan se posiciona como um dos principais adversários políticos do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que apoia a candidatura à reeleição de Clécio Luís. Esse enfrentamento entre dois grupos políticos historicamente relevantes no Amapá deve marcar boa parte da campanha até outubro, com desdobramentos que devem envolver também disputas por vagas na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional.
O que a vantagem nas pesquisas pode significar até outubro
Levantamentos anteriores, realizados ainda quando Furlan comandava a prefeitura, já indicavam patamares semelhantes de intenção de voto, o que sugere que o afastamento pela Justiça não abalou de forma significativa sua base eleitoral até o momento. Isso não significa, porém, que o cenário está definido: pesquisas de intenção de voto em julho, mais de dois meses antes do primeiro turno, tendem a refletir principalmente notoriedade e rejeição consolidada, não necessariamente o resultado final da disputa.
Para o eleitor de Macapá, a corrida ao governo do estado deve seguir movimentada nos próximos meses, com formalização de candidaturas, definição de vices e o início oficial da propaganda eleitoral. Até lá, tanto o desfecho do processo judicial que envolve Furlan quanto a reação do governo estadual às críticas sobre repasses e obras devem continuar pautando o noticiário político local.
A disputa pelo governo do Amapá reflete um momento de forte polarização entre dois grupos que já vinham medindo forças em Macapá desde as eleições municipais de 2024. Independentemente do resultado final em outubro, a pesquisa divulgada nesta semana confirma que Furlan mantém capital eleitoral relevante mesmo diante do processo judicial em curso, um fator que promete continuar no centro do debate político amapaense até a votação.