Pesquisa liberada pela Justiça mostra Furlan à frente no Amapá, mas com folga menor

Por Alessia Montieri 5 Min de leitura

Pesquisa aponta liderança de Furlan na disputa pelo governo do Amapá, mas mostra redução da vantagem em relação aos adversários.

A disputa pelo governo do Amapá ganhou um novo capítulo na reta final da pré-campanha. Depois de dias de suspensão judicial, o Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP) autorizou a divulgação de uma pesquisa de intenção de voto que mostra o ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan (PSD), ainda na liderança da corrida estadual, mas com uma vantagem menor do que a registrada em levantamentos anteriores. O episódio expõe como decisões da Justiça Eleitoral têm influenciado diretamente o ritmo da campanha no estado, às vésperas do período decisivo rumo às urnas de outubro.

Por que a pesquisa foi barrada e depois liberada

A pesquisa, conduzida pelo instituto Doxa e registrada sob o número AP-05423/2026, havia sido suspensa por uma liminar concedida após representação apresentada pela coligação de Furlan. A ação questionava a regularidade do levantamento por falta de detalhamento sobre a delimitação territorial da amostra utilizada pela empresa.

Diante da determinação da Justiça Eleitoral, o instituto Doxa apresentou informações complementares sobre as áreas abrangidas pela pesquisa, atendendo à exigência que havia motivado a suspensão. Ao analisar a nova documentação, o juiz Diego Moura de Araújo entendeu que os dados adicionais supriram a deficiência apontada e revogou a liminar, liberando a divulgação dos resultados.

O magistrado, no entanto, fez uma ressalva importante: a validade definitiva da pesquisa ainda será discutida no julgamento de mérito do processo, que segue tramitando no TRE-AP. Antes dessa decisão final, o Ministério Público Eleitoral deverá apresentar parecer sobre o caso, o que mantém o tema em aberto mesmo após a liberação dos números.

O que os números mostram sobre a corrida ao governo

Segundo o levantamento da Doxa, Furlan aparece com 50,8% das intenções de voto no cenário estimulado para o governo do Amapá, patamar bem abaixo dos 60% que o candidato vinha registrando em pesquisas de outros institutos ao longo da pré-campanha. O atual governador, Clécio Luís (União), por sua vez, saltou de cerca de 30% para 39,6% no mesmo cenário, reduzindo a diferença entre os dois principais nomes da disputa para 11,2 pontos percentuais.

Os demais candidatos ao governo aparecem com desempenho residual: Jairo Palheta (PCO) soma 0,5% e o Delegado Marcos (DC) registra 0,4%. Entre os entrevistados, 5% declararam não saber ou não responder, enquanto 3,7% indicaram voto em branco ou nulo, números que ajudam a dimensionar o espaço ainda em disputa até o fechamento das candidaturas.

A repercussão para a disputa ao Senado

Além do cenário para o governo estadual, a pesquisa da Doxa também mediu a corrida pelas duas vagas do Amapá no Senado Federal, casa que integra o Congresso Nacional e tem impacto direto sobre a representação do estado em Brasília. Nesse recorte, Rayssa Furlan e o senador Randolfe Rodrigues aparecem nas primeiras posições do levantamento.

A presença de Randolfe entre os mais bem colocados chama atenção por sua atuação em Brasília: ele ocupa hoje a liderança do governo Lula no Congresso Nacional, posição que amplia o peso político do Amapá nas articulações federais, mesmo se tratando de um dos estados com menor número de eleitores do país.

O resultado da pesquisa para o Senado tende a influenciar diretamente a forma como os candidatos organizam suas agendas até outubro, já que o desempenho eleitoral de nomes ligados a diferentes grupos políticos no Amapá pode reconfigurar a bancada do estado em Brasília na próxima legislatura, com reflexos em pautas nacionais que dependem da articulação entre governo federal e representantes estaduais.

Fonte:
SelesNafes.com: TRE diz não a Furlan e libera pesquisa que mostra avanço de Clécio

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