Petrobras Prevê Concluir em Agosto Perfuração de Poço na Costa do Amapá

Por Diego Velázquez 5 Min de leitura

Poço Morpho, primeiro de uma campanha que pode chegar a 15 perfurações na Margem Equatorial, segue sob acompanhamento do Ibama.

A Petrobras informou que pretende concluir em 7 de agosto a perfuração do poço exploratório Morpho, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, no bloco FZA-M-59. O anúncio reacende uma pergunta que acompanha o projeto desde o início: afinal, o que está em jogo para o Amapá e para o Brasil caso esse poço confirme a existência de petróleo em volume comercialmente viável na chamada Margem Equatorial?

O que é o poço Morpho e por que ele é estratégico

O Morpho é o primeiro poço de uma campanha exploratória mais ampla que a Petrobras pretende conduzir na região até 2030, com investimento estimado em 13 bilhões de reais e previsão de até 15 novas perfurações. A operação começou em outubro do ano passado, depois de quase cinco anos de disputa entre a estatal, autoridades políticas do Amapá e órgãos ambientais em torno da licença de exploração concedida pelo Ibama.

A Margem Equatorial ganhou relevância nos últimos anos após descobertas expressivas em áreas geologicamente parecidas na Guiana e no Suriname, países vizinhos que já somam bilhões de barris de reservas confirmadas. Para o governo federal e para o setor de energia, investigar o potencial da porção brasileira dessa margem é visto como estratégico diante da perspectiva de queda na produção nacional de petróleo, à medida que campos mais antigos perdem capacidade ao longo da próxima década.

O vazamento de janeiro e o cronograma revisado

Em janeiro deste ano, os trabalhos foram interrompidos depois que a operação registrou vazamento de cerca de 18 mil litros de fluido de perfuração, substância usada para lubrificar e resfriar a broca durante a atividade. O Ibama aplicou multa de 2,5 milhões de reais à Petrobras pelo episódio, e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis chegou a auditar a plataforma responsável pela operação antes de autorizar a retomada das atividades, cerca de um mês depois.

Com a retomada em março, a Petrobras também tentou incluir mais três poços na mesma licença concedida para o Morpho, pedido que o Ibama rejeitou por entender que a autorização vigente cobre apenas uma perfuração. O órgão ambiental deixou claro que qualquer nova perfuração no bloco precisará passar por avaliação própria, com apresentação de informações técnicas adicionais, o que reforça o caráter ainda experimental e sujeito a ajustes desse tipo de operação em águas ultraprofundas.

Por que o resultado do Morpho importa além do Amapá

Segundo especialistas do setor, encontrar petróleo é uma etapa, mas encontrar petróleo em volume que justifique produção comercial é uma questão bem diferente, e é exatamente esse o teste que o poço Morpho enfrenta agora. Caso a perfuração confirme uma acumulação relevante, a Petrobras deve ganhar argumentos para acelerar investimentos em outras áreas da Margem Equatorial, incluindo blocos já mapeados no Rio Grande do Norte. Caso o resultado seja inconclusivo, cresce a percepção de que a comparação com as descobertas da Guiana ainda depende mais de expectativa geológica do que de evidência concreta.

Para o Amapá, a discussão vai além da geologia. A perfuração ocorre em uma área ambientalmente sensível, próxima à costa e à foz do rio Amazonas, o que já motivou questionamentos do Ministério Público Federal sobre estudos de impacto pesqueiro, compensação a comunidades tradicionais e consulta a povos indígenas da região. O desfecho dessa discussão ambiental deve seguir em paralelo ao andamento técnico da perfuração nas próximas semanas.

O prazo de 7 de agosto informado pela Petrobras ao Ibama tem caráter administrativo e pode variar conforme o andamento da operação, como já ocorreu com o cronograma original do projeto. De qualquer forma, o resultado do poço Morpho deve se tornar um marco de referência para o futuro da exploração de petróleo na costa amapaense, tanto pelo potencial econômico que representa quanto pelos riscos ambientais que segue sendo objeto de acompanhamento por parte de reguladores e do Ministério Público.

Fontes:
Poder360
Brasil 247
InfoAmazonia

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