Nódulo palpável com mamografia normal: Por que o exame físico e a imagem nem sempre coincidem?

By Diego Velázquez 5 Min Read

Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues nota um fluxo de pacientes que relatam ter sentido um nódulo ao apalpar a mama, mas se surpreendem quando a mamografia vem “sem alterações suspeitas”. Essa combinação gera um tipo específico de ansiedade, porque o corpo parece dizer uma coisa e o exame, outra. Ainda assim, essa situação é mais comum do que parece e tem explicações técnicas e anatômicas. A chave é entender que cada método tem limites e que a investigação adequada integra exame físico, mamografia, ultrassom e, em casos selecionados, ressonância.

O que pode ser palpado e não aparecer na mamografia

Nem tudo que é palpável se manifesta na mamografia. Alterações benignas, como cistos, áreas de fibrose, adenose ou variações do próprio tecido glandular, podem gerar a sensação de “caroço” sem aparecer claramente no exame. Além disso, o nódulo percebido ao toque pode estar em regiões pouco captadas pela mamografia ou se confundir com estruturas normais, especialmente em mamas com maior densidade glandular.

Diante de um nódulo palpável com mamografia sem alterações, Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues aborda as possíveis causas da divergência entre clínica e imagem e os próximos passos na investigação.
Diante de um nódulo palpável com mamografia sem alterações, Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues aborda as possíveis causas da divergência entre clínica e imagem e os próximos passos na investigação.

O Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues explica que a densidade mamária é um fator central nessa discrepância. Em mamas densas, o tecido branco na mamografia pode camuflar pequenas lesões, reduzindo a sensibilidade do exame. Por isso, um resultado normal na mamografia não descarta a necessidade de investigação quando há queixa persistente ou localização específica, especialmente se o exame físico indicar algo novo ou em crescimento.

Por que o ultrassom costuma ser o próximo passo

O ultrassom de mama complementa a mamografia porque enxerga com outra lógica: em vez de “sombras” no raio X, ele avalia estruturas por meio de ondas sonoras, destacando melhor a diferença entre conteúdo líquido e sólido. Dessa forma, é particularmente útil para distinguir cisto de nódulo sólido e para investigar áreas dolorosas, espessamentos ou nódulos percebidos ao toque, mesmo quando a mamografia não mostra um correlato claro.

Conforme indica Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, a correlação imagem-clínica é o que organiza a conduta. O radiologista precisa saber exatamente onde está a queixa, qual o lado, a posição aproximada e há quanto tempo a paciente percebe a alteração. Logo, o ultrassom direcionado ao ponto palpável tende a aumentar a chance de encontrar explicação, seja confirmando um achado benigno, seja apontando necessidade de acompanhamento ou biópsia, conforme critérios de risco.

Situações em que a queixa persiste e outros exames entram no raciocínio

Quando o ultrassom não esclarece e a queixa permanece, o raciocínio se torna mais cuidadoso. A persistência do nódulo, mudanças progressivas, retrações, secreções anormais ou alterações de pele são elementos clínicos que pesam na decisão. Por outro lado, uma estrutura que se mantém estável, com ultrassom e mamografia sem sinais suspeitos, pode seguir com observação e reavaliação, conforme orientação médica.

De acordo com a análise de Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, a ressonância magnética pode ser indicada em cenários específicos, como alto risco, discordância persistente entre clínica e métodos convencionais, ou avaliação mais detalhada em certos tipos de mama. Entretanto, a ressonância não é “o próximo exame automático” para todo nódulo palpável, porque envolve custo, disponibilidade e maior chance de achados incidentais.

Quando a biópsia é considerada e como reduzir incertezas sem excessos

A biópsia costuma entrar em cena quando existe um alvo definido na imagem ou quando a suspeita clínica é alta, mesmo sem correlato nítido. Em muitos casos, o ultrassom encontra uma lesão passível de avaliação e a biópsia guiada por imagem permite esclarecer a natureza do nódulo com segurança. Em contrapartida, quando não há alvo e a suspeita é baixa, a estratégia pode ser monitorar, reavaliar e ajustar o plano conforme a evolução.

Conforme elucida Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, o que protege a paciente é a coerência do caminho diagnóstico: queixa bem localizada, exame físico bem documentado, exames complementares escolhidos com critério e decisões proporcionais ao risco. Por fim, diante de um nódulo palpável com mamografia normal, a melhor atitude não é concluir que “não é nada” nem presumir o pior, é seguir a investigação correta, com integração de métodos, para chegar a uma resposta objetiva e segura.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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